Remediado está

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Se é de poesia que queres falar

dos versos bonitos que só com o coração se pensa,

desses que te visitavam amigavelmente, sem súplicas.

Tenta se retratar pelas manhãs, ou nas madrugadas bandidas,

que roubam as horas e o sono,

ainda que tentes não convenceu nem a si.

Se não perdoares tuas mágoas a dor não sairá de teu peito

Olha para tuas rosas, fale de amor, ainda que não te caiba,

fale de sua beleza,

suplique seu perdão,

seu jardim está ficando morto,

como teus olhos e tuas ideias,

como essa doença do teu coração.

A cura não vem pela manhã, muito menos quando a noite chega,

logo essa que faz desatinar a dor,

A cura só vem quando puderes se enxergar e com teus olhos

ver que a dor é uma projeção tão mais tua do que minha.

Barquinho

Tou aqui nessa que num sabe o que escreve, que procura o melhor de si para colocar em letras. É preciso saber como é a extensão dos  sentimentos dentro de mim. Veja, falo por mim que dos meus sentimentos eu sei, imagino que o mesmo ocorra em todos que puderem sentir. Tou também nessa de ter medo por ter parado muito tarde pra sentir, mas é besteira minha mesmo, que pra isso não tem hora. Me sinto mesmo como um barco que não sabe pra onde pruma, nem pra onde vai chegar, mas que aprecia maravilhado a viagem. Desses barquinhos de fugidas de vida, como numa viagem pelos rios da Amazônia. Não sei se é feito barco ou feito o rio, que o rio mesmo tem muita bravura. Mas o barco também, afinal, que tenta acompanhar o rio. Pra isso não é preciso ter coragem, mas olhos para enxergar com amor. Continuar lendo

Construção

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Não vou me permitir poupar palavras

Nem quero te “textualizar” neste momento,

Desejo que as frases sejam soltas, embora falem desse laço.

Hoje eu te fitei,

Desesperadamente meu peito pedia um papel.

Ora, logo eu que acumulava falas de perdas,

Como em um diário velho de lembranças ainda mais velhas.

Desejei falar de ganho.

Mas como começar?

Por onde?

Teus olhos me falavam,

Eu ria para responder e confirmar o que eles me diziam.

Confirmava que o casulo estava sendo feito: cuidadosamente!

Quando a borboleta vai sair eu ainda não sei.

Tudo é construção,

e saber esperar

Maravimundo

De ouvidos surdos,

de boca muda,

e olhos cegos,

esses homens, que não tateiam,

e são roubados todas as manhãs

dores cruéis, que não são suas.

São minhas, de minhas irmãs

de minh’alma.

Crua como carne de abate,

em matadouros,

que não mata minha dor,

desse mundo velho, de ideias velhas,

e pessoas mortas.

Mas o sol, quando se põe,

e quando posso vê-lo

maravilhosamentelindocolorindoocéu

Sem espaço, nem ponto ou virgula,

Que o que mata a dor é simplesmente,

as coisas tão bonitas de simples da vida.

Assim, desprendendo-se em um rompante.

Despre

tensiosa

mente! 

Com todos os sentidos à postos,

de tão aposentados carregam teias no coração

Na minh’alma tecendo manhãs agradáveis.

Checkmate

Deseja-me boa viagem
Devora a carne a alma
Os infinitos olhos dos teus dedos
Correm o toque inquieto...
Mas não posso esperar
Me deixa entrar
Deixa-me ler os teus lábios crus
Saciar-me na torrente de tuas marés
Banhar-me nos raios de teu hálito adocicado
Come as esperanças a dormir teus sonhos
Arranha o céu dos meus pensamentos desencontrados
Desbrava os caminhos de minhas coxas
Desanda por entre os dias entrecruzados
Teus olhos cor de caramelo me cozinham em banho-maria
Em cortinas a voar pelo quarto
Um pranto de luzes acesas
A partida se aproxima de tuas janelas...
Para pousos forçados, uma linha incerta
Àquele sinal de pânico, brinda um enlace
Os corpos semicobertos por nossos beijos.
No ar, uma voz chama
É hora de ir embora
Calma! De repente é só a brisa do vento!
Uma vez mais chama a senhora
Pede-me um pôr-do-sol
E um abraço nos une indeterminadamente
Os olhos dançam por e entre nós
Soltamos os corpos
Mas ficamos em nós
Elevo-me em carne
Mas deixo o toque
Sinto a gravidade
Me sinto ecoar
Respiro teu cheiro
Me volto, em mim tu estás
Em pouco tempo, diz o relógio
Mas hoje é sempre e sempre é hoje
Nos teus olhos, meu bem, é onde eu quero morar.

 

 

Rima torta

Num rompante de palavras

Pequenas sílabas se formam em tua boca

Entre tuas frases entrecortadas e gramática pouco ruborizada

Estava teu mais belo versinho

Uma trova perdida

Uma rima torta.

Rogo aos céus que as letras não te faltem neste momento

Desejo ardor ao teu lamento

Corre! Pega papel, caneta

Escreve teu lírios no jardim

Faz os votos a lápis no canto da boca

Declama ao mundo teu hálito

Engole o embaraço e destila teus laços

Prende o leitor ao título dos teus olhos

Rompe a licença poética

Rasga os murais do medo

Reclama aquilo que te é de direito!

Olhos

Esses teus olhos tortos e cansados,

Esses teus olhos que não me dizem nada,

Esses teu olhos e teus registros,

frente a face do medo é puro sarcasmo.

Esses teus olhos ateus,

que mendigam lágrimas,

não tem mais brilho.

Esses teus olhos mortos,

de peixe morto, culpa da seca,

de retina morta.

Aceita um colírio?

Quem não tem colírio,

quem não tem óculos,

cegueira na multidão.

Perda dos cones coloridos,

sinalizam na rua,

Pare! Não dobre a esquina!

Esses teus olhos que não me envolvem mais.mgid-uma-video-mtv

 

Mente, mente.

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Quantas vezes rabiscastes este papel com palavras que não te remetessem a mim tentando formar um novo verso? Daqui eu posso ver as marcas que a borracha não consegue apagar. A propósito, este ainda é o mesmo papel? Presumo que a tua lixeira deve estar cheia e reciclar não venha a ser a melhor opção neste caso, mas convém, em outros. Esclareça-se, não adianta excluir tais ditos meus de tua mente, ditos estes que tu mesmo não queres me dedicar. Sei que eu ainda tamborilo em tua mente, sei também que tentas, sem sucesso, me evitar.  Se queres, forma teus versos, escreves teus textos, mas saiba que sempre estarei aí. A madrugada é sempre tão convidativa, por que evitas adentrá-la? Cadê toda aquela tua força? Eu ainda a vejo, eu ainda posso vê-la. Quando as palavras vem assim à tona é melhor não evitar, elas não irão sossegar, elas não te deixarão enquanto não formarem versos. Por sinal, se é que tu não sabes, elas vêem de ti e desta forma elas não são nada além de ti. Me diga, qual é o teu medo? Eu te vi naquele dia, eu não posso me esquecer, meus olhos vidraram e nem meu astigmatismo pode te evitar. Eu senti saudade.