Minha saia é curta quando saio daqui

Se um dia tudo muda, hoje nós mudamos

Quando as mãos se caem solta e os meus olhos marejados te fitam

P’reu te dizer que vou embora. Adeus!

Se tudo mesmo um dia muda,

que não essa tua opinião que ainda insiste em me subjugar pelo simples fato

que meu alfabeto resolveu vir carregado com mais um X,

como se a escrita e a leitura fossem falhas minhas e não tuas.

Se vai mudar, por que não muda de mim?

Eu sei que eu não vou apagar agora, nem sexta feira, ou mês que vem e ainda vai permanecer até que eu me veja mais.

Ainda tenho medo!

Que ainda carrego em mim a culpa que não é minha, nem da minha saia, do meu alfabeto, do meu cabelo do meu batom que é vermelho igual a minha unha PUTA.

Puta! eu não sou mais a tua Puta! Sou minha Puta quando carrego meu eu pra se desdobrar em mim e ver que eu não sou a falha do jogo da vida de um único dado.

Sou uma bela filha da Puta! Herança do meu alfabeto.

Se tudo um dia muda, hoje eu mudei (.)

 

arte: Iná Cavalcante

 

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Era um pequeno quarto assombrando que todos tinham medo de adentrar, haviam aqueles que apenas observavam de longe, mas eram somente meros curiosos e não destemidos. Em noites de chuva intensa todos tinham uma história sobre o quarto para contar, levantavam suas hipóteses e, em cada uma, o lugar era sempre tachado como culpado pelos seus assombros. Pesava sobre o pequeno quarto a culpa dos fantasmas que o mesmo possuía, como se, embora ninguém o conhecesse, fosse ele quem os permitiu estar ali. Os dias se passavam e o quarto tornava-se ainda mais escuro, sombrio e triste, as pessoas mantinham sempre distância. Acredito que, não é por maldade daquele lugar que ele seja como ele é, mas é que dominar nossos fantasmas não seja algo assim tão fácil como é um ponto de vista. Embora as noites frias de agonia ainda persistam, embora cada um tenha medo que seus fantasmas entrem em conflito e se aflorem, o pequeno quarto já teve seus gloriosos dias de luz. Não há necessidade da compreensão de alguém para que ele retorne a sua cor.

Remediado está

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Se é de poesia que queres falar

dos versos bonitos que só com o coração se pensa,

desses que te visitavam amigavelmente, sem súplicas.

Tenta se retratar pelas manhãs, ou nas madrugadas bandidas,

que roubam as horas e o sono,

ainda que tentes não convenceu nem a si.

Se não perdoares tuas mágoas a dor não sairá de teu peito

Olha para tuas rosas, fale de amor, ainda que não te caiba,

fale de sua beleza,

suplique seu perdão,

seu jardim está ficando morto,

como teus olhos e tuas ideias,

como essa doença do teu coração.

A cura não vem pela manhã, muito menos quando a noite chega,

logo essa que faz desatinar a dor,

A cura só vem quando puderes se enxergar e com teus olhos

ver que a dor é uma projeção tão mais tua do que minha.

Barquinho

Tou aqui nessa que num sabe o que escreve, que procura o melhor de si para colocar em letras. É preciso saber como é a extensão dos  sentimentos dentro de mim. Veja, falo por mim que dos meus sentimentos eu sei, imagino que o mesmo ocorra em todos que puderem sentir. Tou também nessa de ter medo por ter parado muito tarde pra sentir, mas é besteira minha mesmo, que pra isso não tem hora. Me sinto mesmo como um barco que não sabe pra onde pruma, nem pra onde vai chegar, mas que aprecia maravilhado a viagem. Desses barquinhos de fugidas de vida, como numa viagem pelos rios da Amazônia. Não sei se é feito barco ou feito o rio, que o rio mesmo tem muita bravura. Mas o barco também, afinal, que tenta acompanhar o rio. Pra isso não é preciso ter coragem, mas olhos para enxergar com amor. Continuar lendo

Construção

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Não vou me permitir poupar palavras

Nem quero te “textualizar” neste momento,

Desejo que as frases sejam soltas, embora falem desse laço.

Hoje eu te fitei,

Desesperadamente meu peito pedia um papel.

Ora, logo eu que acumulava falas de perdas,

Como em um diário velho de lembranças ainda mais velhas.

Desejei falar de ganho.

Mas como começar?

Por onde?

Teus olhos me falavam,

Eu ria para responder e confirmar o que eles me diziam.

Confirmava que o casulo estava sendo feito: cuidadosamente!

Quando a borboleta vai sair eu ainda não sei.

Tudo é construção,

e saber esperar

Maravimundo

De ouvidos surdos,

de boca muda,

e olhos cegos,

esses homens, que não tateiam,

e são roubados todas as manhãs

dores cruéis, que não são suas.

São minhas, de minhas irmãs

de minh’alma.

Crua como carne de abate,

em matadouros,

que não mata minha dor,

desse mundo velho, de ideias velhas,

e pessoas mortas.

Mas o sol, quando se põe,

e quando posso vê-lo

maravilhosamentelindocolorindoocéu

Sem espaço, nem ponto ou virgula,

Que o que mata a dor é simplesmente,

as coisas tão bonitas de simples da vida.

Assim, desprendendo-se em um rompante.

Despre

tensiosa

mente! 

Com todos os sentidos à postos,

de tão aposentados carregam teias no coração

Na minh’alma tecendo manhãs agradáveis.

Checkmate

Deseja-me boa viagem
Devora a carne a alma
Os infinitos olhos dos teus dedos
Correm o toque inquieto...
Mas não posso esperar
Me deixa entrar
Deixa-me ler os teus lábios crus
Saciar-me na torrente de tuas marés
Banhar-me nos raios de teu hálito adocicado
Come as esperanças a dormir teus sonhos
Arranha o céu dos meus pensamentos desencontrados
Desbrava os caminhos de minhas coxas
Desanda por entre os dias entrecruzados
Teus olhos cor de caramelo me cozinham em banho-maria
Em cortinas a voar pelo quarto
Um pranto de luzes acesas
A partida se aproxima de tuas janelas...
Para pousos forçados, uma linha incerta
Àquele sinal de pânico, brinda um enlace
Os corpos semicobertos por nossos beijos.
No ar, uma voz chama
É hora de ir embora
Calma! De repente é só a brisa do vento!
Uma vez mais chama a senhora
Pede-me um pôr-do-sol
E um abraço nos une indeterminadamente
Os olhos dançam por e entre nós
Soltamos os corpos
Mas ficamos em nós
Elevo-me em carne
Mas deixo o toque
Sinto a gravidade
Me sinto ecoar
Respiro teu cheiro
Me volto, em mim tu estás
Em pouco tempo, diz o relógio
Mas hoje é sempre e sempre é hoje
Nos teus olhos, meu bem, é onde eu quero morar.

 

 

Rima torta

Num rompante de palavras

Pequenas sílabas se formam em tua boca

Entre tuas frases entrecortadas e gramática pouco ruborizada

Estava teu mais belo versinho

Uma trova perdida

Uma rima torta.

Rogo aos céus que as letras não te faltem neste momento

Desejo ardor ao teu lamento

Corre! Pega papel, caneta

Escreve teu lírios no jardim

Faz os votos a lápis no canto da boca

Declama ao mundo teu hálito

Engole o embaraço e destila teus laços

Prende o leitor ao título dos teus olhos

Rompe a licença poética

Rasga os murais do medo

Reclama aquilo que te é de direito!

Olhos

Esses teus olhos tortos e cansados,

Esses teus olhos que não me dizem nada,

Esses teu olhos e teus registros,

frente a face do medo é puro sarcasmo.

Esses teus olhos ateus,

que mendigam lágrimas,

não tem mais brilho.

Esses teus olhos mortos,

de peixe morto, culpa da seca,

de retina morta.

Aceita um colírio?

Quem não tem colírio,

quem não tem óculos,

cegueira na multidão.

Perda dos cones coloridos,

sinalizam na rua,

Pare! Não dobre a esquina!

Esses teus olhos que não me envolvem mais.mgid-uma-video-mtv